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| Ilustração: Flavio Morais |
Somos títeres
Nas mãos de déspotas
Dão-nos víveres
De boa ingesta
E segue a festa
A nós: pão e circo
A eles: tudo o que resta.
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| Ilustração: Flavio Morais |
Por fim, o reencontro premeditado - razão do presente post: conforme lhes havia sobreavisado, iniciei a releitura de 1984, a fantástica distopia orwelliana (relativo a George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, escritor inglês entre os mais influentes do século XX). Estou, em verdade, reencantando-me com a obra, cujo teor incrivelmente premonitório havia-me desconsertado já quando da primeira leitura, há nove anos. Contudo, hoje, os matizes são muitíssimos mais nítidos e sugestivos, os temperos são mais agressivos e a boca do estômago dói mais após o soco - em síntese: o mesmo livro, um novo leitor. Estou extraindo do que eu supunha só bagaço a quinta-essência do fruto, a sua doçura quase completa. Reservo o melhor, ainda, para uma terceira leitura.Winston, herói de 1984 [o livro foi escrito em 1948], último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'